7 de novembro de 2010

Porto 5 Benfica 0

3 de novembro de 2010

Benfica 4 Lyon 3

Setenta e cinco minutos de granda cólidade, disse Jorge Jesus. E disse bem. Chegar ao final do encontro com esta vantagem qualitativa, perante um adversário fortíssimo e com tanta experiência europeia, seria decisivo para que a equipa recuperasse a confiança e a estabilidade emocional da época passada, factor infinitamente mais importante que as saídas deste ou daquele craque. Nem mesmo a diminuição de intensidade nos últimos minutos, que permitiu os dois primeiros golos do Lyon, seria preocupante se a coisa ficasse por aí. Mas não ficou. O último golo mostra que a recuperação emocional falha precisamente onde devia começar. O Roberto será sempre um bom guarda-redes: caro, seguríssimo nos remates de meia-distância, menos seguro em bolas aéreas, bons reflexos, alto, bom rapaz e tudo isso. Do ponto de vista emocional é aquilo a que nós, os especialistas, chamamos "um passarinho". E por isso não serve para o Benfica nem para equipa nenhuma que lute por outra coisa que não seja manter-se fora dos lugares de descida de divisão. O resto da equipa sente isso e a única razão para alguns jogadores não irem de fraldas para o Dragão é o receio de que os colegas de equipa metam isso no Facebook.

Enorme jogo de Coentrão e de Carlos Martins. O primeiro, se o Benfica tivesse contratado mais uma vez o treinador errado, estaria ainda no Rio Ave e passaria de jovem promessa a decorador de interiores sem nunca ter sido jogador de futebol. O segundo é um caso triste de incompetência de vários treinadores do Sporting para gerir aquele feitio de merda e meter a qualidade individual ao serviço do colectivo. Em ambos os casos, o mérito é de Jorge Jesus. O mesmo Jorge Jesus que insiste na cólidade do mercado sul-americano enquanto os craques da cantera vão rodar para outros clubes. Não se percebe.