22 de setembro de 2010

Benfica 2 Sporting 0

Ser adepto do Sporting é uma coisa única. Os adeptos do Sporting pertencem a uma elite (não por serem dotados de alguma característica excepcional ou por estarem num patamar intelectual superior, mas por serem poucos) bipolar que odeia tanto o clube rival do outro lado da estrada como o seu próprio clube. Salvo alguns atrasados mentais, ninguém diz mal do Sporting como os sportinguistas. E não é por não haver modelo de jogo 3 meses depois do início da época, não é porque a linha defensiva não se consegue organizar quando joga em bloco alto, não é porque a linha defensiva não se consegue organizar quando joga em bloco baixo, não é por se descobrir que, afinal, o Liedson não resolve porra nenhuma e que a equipa perde apoios verticais e capacidade de construção quando ele joga, não é pela apatia geral que começa no director desportivo e acaba no Paulinho ou ainda mais longe. Não é por nada disso. Pouco importa o que acontece no campo. Um maníaco-depressivo não precisa de razões. O ódio é de tal maneira cego que não se admite sequer que venham adeptos de outro clube partilhá-lo. Enquanto que o ódio pelo Benfica, pela abundante pelosidade bigodal e jeitinho para os biscates dos seus adeptos pode ser ser partilhado com adeptos do Porto, Braga e Guimarães, o ódio ao Sporting só é aceite mediante a apresentação de cartão de sócio com as quotas em dia. É enternecedor ver esta elite sportinguista, um ponto à frente na tabela, manifestar-se como se o campeonato já tivesse acabado e tivessem ficado a (por exemplo) 28 pontos do líder depois de despedir uma mão-cheia de treinadores e achincalhar em praça pública todos os activos vindos da academia. Alguns, a elite dentro da elite, conseguem ver mais longe e ainda se lembram de como isto começou. Uma pessoa até fica embaraçada por se ter queixado do Vale e Azevedo e do Damásio e do Vilarinho e de outras coisas. Obrigado.

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