Está a "nação" em polvorosa. Então não é que Luís Filipe Vieira foi alvo de buscas policiais relacionadas com uma burla ao BPN? Não querem lá ver que o presidente do Benfica não é um homem honesto? Ora isso só pode significar uma coisa. Se Luís Filipe Vieira burla bancos, deixa de ter importância que Pinto da Costa negoceie em putas, falsifique resultados e manipule o futebol português em completa impunidade há décadas (Suspensão de quanto tempo e dedução de quantos pontos? Só pode ser brincadeira...). Podem arquivar, finalmente, as duas desculpas mais usadas até aqui: o Porto ganhou títulos que não merecia totalmente (uma equipa que joga melhor do que os adversários com a arbitragem como rede de segurança merece mérito?) porque o Benfica ganhou muitos títulos durante a ditadura, o que significa que era o clube do regime (Inocêncio Calabote, para quem sabe realmente o que se passou e não se limita a acreditar em histórias de café, é outra brincadeira). Além disso, há aquele penálti mal assinalado, convertido pelo Karadas num jogo em que o Benfica derrotou o Estoril por 1-0. Está encerrado o capítulo da corrupção no futebol. Siga a dança.
Ou não. Que a notícia das buscas publicada esta semana se refira a factos ocorridos há sete meses parece não interessar (à semelhança das circunstâncias caricatas daquele telefonema divertido de Valentim Loureiro a Vieira). Menos ainda interessará que os órgãos que noticiaram as buscas, além de referirem explicitamente quando estas ocorreram, acrescentassem também que, como consequência das mesmas, o presidente do Benfica não foi constituído arguido em qualquer processo.
Passemos para o campo da suposição. Imaginemos que Luís Filipe Vieira tem negócios escuros no seu passado (e ninguém o imagina melhor do que os benfiquistas, que há anos vão trocando informações apócrifas envolvendo pneus e diamantes angolanos menos móveis que Pedro Mantorras). Relevância para o futebol? Nula. Uma escuta tornada pública em que o presidente de um clube acerta com dirigentes, árbitros e malfeitores variados o benefício dos seus e o prejuízo dos outros com cabazes de "fruta de dormir" é um tudo-nada diferente.
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